Tribunal mantém prisão dos irmãos Batista e defesa reage com novo recurso no STJ

Advogado aponta "excepcionalidade no mínimo curiosa" em decisão que determinou a prisão dos sócios da JBS; Joesley chegou hoje a São Paulo

Wesley Batista foi preso na investigação do uso de informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro
Wesley Batista foi preso na investigação do uso de informações privilegiadas para lucrar no mercado financeiro
A defesa dos irmãos Joesley e Wesley Batista anunciou que irá apresentar, ainda nesta sexta-feira (15), recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a decisão de juíza do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) em negar pedido de liberade para os empresários. 
Wesley Batista está preso  na carceragem da Polícia Federal em São Paulo desde quarta-feira (13), enquanto seu irmão, Joesley, desembarcou nesta manhã  na capital paulista após cumprir prisão temporária no âmbito de outra investigação em Brasília. A decisão que manteve a prisão preventiva dos irmãos Batista foi expedida pela juíza federal Tais Ferracini em resposta a pedido de habeas corpus apresentado nessa quinta-feira (14) pela defesa ao TRF-3.

Os dois empresários tiveram mandado de prisão expedido pela 6ª Vara Federal em São Paulo por conta de suspeitas de crimes contra o sistema financeiro  em manobras realizadas às vésperas da divulgação das delações premiadas de executivos da JBS. 
Em nota, o advogado Pierpaolo Cruz Bottini, que representa a defesa de Joesley e Wesley, anunciou que aprópria decisão da juíza Tais Ferracini "reconhece a ausência de fato novo apto a justificar a prisão".

"A inexistência de qualquer outro preso preventivo no Brasil pela acusação de insider trading revela uma excepcionalidade no mínimo curiosa", afirmou o defensor no comunicado.

Os crimes dos irmãos Batista 

De acordo com investigadores da Polícia Federal, Joesley e Wesley Batista cometeram ao menos duas ações criminosas contra o mercado financeiro por após eles terem iniciado as tratativas para fechar um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

O primeiro fato é relacionado à venda de ações da rede de frigoríficos JBS, conforme explicou na quarta-feira (após a prisão de Wesley), o delegado Victor Alves, que é chefe da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros da PF.
O delegado federal explicou que os irmãos Batista detém 100% das ações da FB Participações, empresa que, por sua vez, é dona de 42% dos papéis da JBS. Desse modo, eles teriam vendido, por meio da FB Participações, R$ 42 milhões em ações da JBS a um valor de R$ 372 milhões.
Já o segundo ato delitivo cometido pelos irmão Batista diz respeito aos contratos futuros de dólar. De acordo com os investigadores, Wesley e Joesley investiram cerca de R$ 2 bilhões na compra de dólar na cotação aproximada de US$ 3,11. Após o vazamento das delações que provocaram grande escândalo ao atingir o presidente Michel Temer, a moeda americana registrou valorização de 9%.

Comentários